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Prostituição on line

O celular toca, são combinados preço e lugar. Mais um programa está agendado. Pode ser em um motel, em um privê ou na residência do cliente. E são cerca de seis a oito por dia, dependendo da disponibilidade dela. A cada atendimento, um cliente diferente, um corpo novo e o pagamento em dinheiro vivo. A combinação sempre se dá sem o primeiro contato direto. O cliente faz a escolha pela tela do computador.

Profissionais do sexo trocam ruas e boates pela Internet em busca de mais segurança, privacidade, lucro e até conforto

 

Fonte: Jornal o Tempo 08/07/2007 - VALQUIRIA LOPES

 

É assim que as garotas de programa que trocaram as boates, casas de prostituição e ruas pelos anúncios na Internet organizaram a prestação do serviço para se diferenciarem no mercado, conseguirem mais discrição, segurança e lucros. Embora estejam expostas na rede virtual, elas afirmam que a contratação do serviço por meio da Internet também permite que elas se resguardem. "Nunca procurei uma boate para trabalhar porque não gostaria de encontrar amigos ou de ser identificada por alguém conhecido. Faço programa há dois anos, mas não conto para ninguém. Nem minha família sabe", explica Luciana*, 20, anunciante de um site de acompanhantes na capital.

 

De acordo com a jovem, outro benefício dos sites de garotas de programa é a independência que adquire. "Posso sair o dia que quero e imponho as minhas condições, o que topo fazer ou não", diz. Ela relata que o ganho é bem maior quando se opta por atender via Internet. "Depois de dois anos de trabalho, tenho minha condição financeira consolidada. Se quisesse parar de trabalhar hoje, eu poderia", afirma. A experiência do ganho rápido também é relatada por Lorena*, 23.

 

Há cerca de dois anos ela faz programas e não trocaria mais o sucesso de hoje no site pela vida que levava em uma agência de garotas onde trabalhava. "Atualmente, eu tomo conta do meu próprio negócio. Eu mesma combino com o cliente e não preciso dividir o dinheiro com o agenciador, como acontecia antes", garante Lorena. Em alguns casos, não são as mulheres que fazem os próprios anúncios, mas casas chamadas relax, scoth bar ou de massagem colocam a propaganda virtual.

 

Em um desses estabelecimentos, no bairro Santo Agostinho, 18 garotas atendem, recebem o valor do programa e a casa lucra com o preço do aluguel do quarto e da entrada. De acordo com Grazzi, 18, que trabalha nesse local, essa forma de publicidade também é segura. "Prefiro assim porque não fico exposta. A casa já tem clientela, então tenho garantia de trabalho sempre."

 

Consolidação


A mudança da propaganda das garotas de programa para o ambiente virtual surgiu, segundo o advogado Alexandre atheniense, especialista em direito de informática e presidente da Comissão de Tecnologia da Informação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na virada do século, com a entrada dos provedores de Internet gratuitos. A partir daí, muitas garotas se adaptaram aos anúncios em sites na web e o serviço virou uma febre. "Com um aumento potencial do número de usuários e do público para explorar o serviço, a divulgação dos sites, de fato, se consolidou", explica.

 

De acordo com Atheniense, a Internet é um meio propício para a divulgação da prostituição, não só pelos recursos, como pela possibilidade de ver fotos, acessar vários sites diferentes e poder escolher "a gosto do cliente", mas também pelo apelo do anonimato. Dessa forma, segundo o advogado, o acesso é feito e o programa contratado sem a revelação da identidade do cliente ou da exposição dele em ambientes públicos como scoth bares, nas ruas ou em boates.

 

* Nomes fictícios

 

Site permite escolha prévia do perfil

 

Os sites de garotas de programa oferecem facilidades que se destacam de outras formas de propaganda e traz vantagens tanto para quem acessa como para as mulheres que oferecem o serviço. Para o cliente, a possibilidade de escolher a mulher que mais lhe agrada por meio de fotos e do perfil da garota já adianta a negociação. Do outro lado, a anunciante também se beneficia em estabelecer o que aceita no momento da transa.

 

Do próprio computador, o interessado em contratar um serviço da prostituta já tem as informações que geralmente fariam parte de uma conversa. Da página principal, as informações são filtradas até que se chegue no tipo ideal para o programa. É possível escolher entre loiras, morenas, ruivas e mulatas. Depois dessa pré-classificação outras opções como preço, local de atendimento, fantasias e características da mulher são apresentados.

 

A garota de programa Lorena, 23, conta que um dos benefícios do anúncio virtual é que o cliente já sabe que tipo de mulher vai encontrar. Com corpo esguio, seios firmes e recémturbinados com silicone, ela afirma ser amante do prazer. No seu perfil, Lorena estipula preços que variam entre R$ 250 por uma hora e R$ 300 por duas horas. Também garota de programa, Luciana, 20, já estabelece no próprio site o preço do pernoite: R$ 800.

 

O dinheiro é, para ambas, a grande motivação de ter começado a fazer programa, já que as famílias passavam por crise financeira. Segundo Lorena, os lucros sustentam as despesas da casa, a mensalidade da faculdade de farmácia e engordam os investimentos. As duas traçam planos para encerrar a atividade, mas garantem que não querem mais ter problemas com dinheiro para não retornarem à profissão. (VL)

 

Advogado denuncia vista grossa do poder público

 

Vista grossa. Essa é a definição que o advogado Alexandre atheniense, especialista em direito de informática, dá para o tratamento das autoridades em relação aos sites que fazem propaganda ou agenciamento de prostituição via Internet. Ele explica que a prática é discriminada na legislação brasileira pelo Código Penal e, independentemente de como é divulgada, deve passar por fiscalização. O advogado disse que o modelo de prostituição promovido na Internet não se diferencia de outros meios.

 

"A Internet é apenas um outro ambiente. A prática continua capitulada no artigo 230 do Código Penal como atividade ilícita. A legislação que hoje existe é também aplicada para Internet e não podemos imaginar nesse caso que exista uma legislação ou um código próprios. A Internet deve ser encarada somente como um veículo alternativo", explica. No entanto, Atheniense afirma que faltam medidas mais efetivas de controle. Segundo ele, o Ministério Público e a Polícia Civil deveriam fiscalizar.

 

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, existe em Belo Horizonte uma delegacia especializada para crimes praticados nos meios eletrônicos e as outras fazem averiguações em estabelecimentos. A delegada Andréa Ferreira Silva Araújo, da Delegacia Especializada em Repressão ao Crime Informático e às Fraudes Eletrônicas (Dercife), explica que não há prática criminosa, se o site que oferece serviços de prostituição for acessado por maiores de 18 anos, sem exposição de menores e com a autorização prévia de quem anuncia. O que é proibido, segundo a delegada, é agenciar, aliciar ou ganhar dinheiro com mulheres que se prostituem.

A delegada informou que a polícia faz a investigação quando há notícia ou mesmo por meio de levantamentos investigatórios na rede. A assessoria de imprensa do Ministério Público informou que a prostituição por si só não é crime e também não é ilícito se a própria pessoa resolve se oferecer ou fazer um anúncio de programa. O que é ilegal, de acordo com o órgão, é a exploração ou o favorecimento por meio da atividade, como no caso de quem lucra com a manutenção de casas de prostituição. Ainda assim, de acordo com o MP, é preciso que as denúncias cheguem ao órgão para que providências sejam tomadas. (VL)

 

‘Adoro transar, faço vários programas ao dia’

 

"Depois da cirurgia para colocar o silicone, tive que dar um tempo sem fazer programa. Mas, ainda com os seios enfaixados, eu queria transar. Amo sexo. Adoro transar. Faço vários programas por dia e isso é minha profissão. Se deixar, tenho programa 24 horas. O telefone não pára. Só desligo no sábado e no domingo porque namoro. Tenho um noivo e, dentro de três anos, quando eu parar de trabalhar, vou me casar com ele"  Lorena

 

 

 

 

( Fonte: http://www.alexandreatheniense.com.br )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Critérios Diagnósticos para F60.31 - 301.83 Transtorno da Personalidade Borderline

Um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:

(1) esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado. Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5.

2) um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização

3) perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self

(4) impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente). Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5

(5) recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante

(6) instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias)

(7) sentimentos crônicos de vazio

(8) raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex., demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)

(9) ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos

Aspectos médico-legais do Borderline

O Transtorno Borderline da Personalidade é considerado um transtorno fronteiriço ou limítrofe entre uma modalidade não-normal da personalidade relacionar-se com o mundo e um estado que pode ser considerado francamente patológico. Assim sendo, cada caso de paciente dito borderline deve ser considerado à parte. O paciente borderline pode ser objeto de apreciação jurídica e legal quando a gravidade de seu transtorno de personalidade é importante o suficiente para produzir um sério transtorno psíquico de insanidade e incapacidade de auto-determinar-se.

A capacidade civil de uma pessoa deve estar condicionada à sua maturidade mental. Classicamente, Krafft-Ebing (Krafft-Ebing, Medicina legal, España Moderna Madrid, 1992.) distingue 3 elementos fundamentais para que a pessoa seja considerada capaz e, através dessa capacidade possa adquirir os direitos e deveres da vida em sociedade:

a) "conhecimento e consciência" dos direitos e deveres sociais e das regras da vida em sociedade.

b) "juízo crítico" suficiente para a aplicação do item anterior.

c) "firmeza de vontade (volição)" para decidir com liberdade.

Conforme se vê na prática, e mesmo de acordo com o curso e evolução do Transtorno Borderline referido na literatura internacional, não se pode dizer que esses pacientes sejam considerados insanos, quer pela carência de sintomas psicóticos, quer pela carência de prejuízo do juízo crítico, ambos necessários para atestar-se a insanidade.

Entretanto, atualmente tem-se enfatizado não apenas as características psicopatológicas do paciente (réu) em apreço mas, sobretudo, uma série de circunstâncias vivenciais de alguma forma atreladas ao ato delituoso. Circunstâncias atenuantes, por exemplo, encontramos no caso da embriaguez habitual ou uso de estupefacientes. Nesses casos, a pessoa poderá inabilitar-se judicialmente, caso estejam expostos a perpetrar atos jurídicos prejudiciais a si próprio ou ao patrimônio.

Na justiça espanhola, essa questão de eventual prejuízo do patrimônio, visa a proteção econômica (e social) dos familiares do Borderline. Trata-se da doutrina da semicapacidade, uma solução técnica do direito contemporâneo para atenuar os efeitos da alteração psíquica de certas pessoas em relação ao prejuízo sobre demais pessoas mas, nem sempre, atenuando a punibilidade em relação à sua própria pessoa.

Como se vê, a figura de inabilitação e semicapacidade tem menor alcance que a declaração de incapacidade por demência e, na prática, representa um recurso de proteção mais patrimonial que pessoal. Essa atitude tem como um dos objetivos, prevenir a dilapidação do patrimônio familiar pelo Borderline, com freqüência viciado em jogo, drogas, álcool, etc.

O direito penal se relaciona com a psiquiatria forense através do conceito de imputabilidade. Imputar significa atribuir algo a uma pessoa e esta, só será imputável, quando se encontra em condições de valorizar e ajuizar seus atos e as conseqüências que deles resultam. Resumindo, podemos dizer que a pessoa é imputável quando é responsável sobre a culpabilidade de seus atos.

Alguns autores (Nestor Ricardo Stingo, Maria Cristina Zazzi, Liliana Avigo, Carlos Luis Gatti) acham que a pessoa Borderline pode ser inimputável nos casos onde haveria um estado de inconsciência, notadamente por intoxicação por drogas ou álcool ou, ainda, devido a alteração mórbida das faculdades mentais. Este último caso, quase exclusivamente diante da presença de sintomas psicóticos.

Evidentemente existem situações muito mais difíceis de se atestar o grau de responsabilidade da pessoa Borderline. Essas se relacionam, basicamente, com os episódios de descontrole impulsivo. Nesses casos estaria em jogo não a questão psiquiátrica (de diagnóstico) mas, a questão psicológica da circunstância. O dilema dessas questões está, exatamente, no fato dessas pessoas entenderem e compreenderem a gravidade de seus atos mas, não obstante, serem incapazes de auto-controlarem suas condutas.

Entretanto, nunca devemos esquecer que as questões referentes à capacidade, incapacidade, imputabilidade e inimputabilidade são conceitos estritamente jurídicos, competem estritamente ao juiz, sendo a função da medicina apenas assessorar a justiça através de laudos e perícias.



( Fonte: Ballone GJ- Personalidade Borderline- in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br/ )