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8 de março - Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher. A idéia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na virada do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão econômica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher. A idéia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na virada do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão econômica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.

 

Este fato levou à uma versão distorcida dos fatos, misturando este evento com o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também aconteceu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas. Este evento porém nunca aconteceu e o incêndio da Triangle Shirtwaist continua como o pior incêndio da história de Nova Iorque.

 

Muitos outros protestos se seguiram nos anos seguintes ao episódio de 8 de Março, destacando-se um outro em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários, e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, no dia 19 de Março. No entanto, logo depois, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Além disto, ocorreram também manifestações pela Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial.

 

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher serviram de estopim para a Revolução russa de 1917. Depois da Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a sua vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a sua simpatia ou amor pelas mulheres da sua vida — um tanto semelhante a uma mistura dos feriados ocidentais Dia das Mães e Dia dos Namorados. O dia permanece como feriado oficial na Rússia (bem como na Bielorrússia, Macedônia, Moldávia e Ucrânia), e verifica-se pelas ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres (quaisquer mulheres). Quando a Tchecoslováquia integrou o Bloco Soviético, esta celebração foi apoiada oficialmente e gradualmente transformada em paródia — ver MDŽ.

 

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu. Foi revitalizado pelo feminismo na década de 1960. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

 

Direitos da mulher

 

O termo Direitos da Mulher refere-se à liberdade inerente e reclamada pelas mulheres de todas as idades, direitos ignorados ou ilegalmente suprimidos por leis ou por costumes de uma sociedade em particular.

 

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), são direitos das mulheres:

 

· Direito à vida.

· Direito à liberdade e à segurança pessoal.

· Direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação.

· Direito à liberdade de pensamento.

· Direito à informação e à educação.

· Direito à privacidade.

· Direito à saúde e à proteção desta.

· Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família.

· Direito à decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los.

· Direito aos benefícios do progresso científico.

· Direito à liberdade de reunião e participação política

· Direito a não ser submetida a torturas e maltrato.

 

Carta à Mulheres

 

Carta às mulheres é uma carta aberta que o Papa João Paulo II publicou dirigida às mulheres do mundo inteiro, por ocasião da IV Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim, em 29 de junho de 1995.

 

Neste documento o papa felicita a ONU pela iniciativa e afirma que a Igreja também se propõe oferecer a sua contribuição para a defesa da dignidade e dos direitos das mulheres, não só através da colaboração da Delegação da Santa Sé nos trabalhos da conferência, como também falando diretamente ao coração e às mentes de todas as mulheres.

 

Na carta o seu autor propõe deter-se sobre o tema da dignidade e dos direitos da mulheres, considerados à luz da Palavra de Deus. Afirma que o ponto de partida deste diálogo não pode ser outro senão um "obrigado". O agradecimento a Deus pela vocação e missão da mulher no mundo, torna-se assim um obrigado concreto a cada mulher pelo que tem representado na existência da humanidade.

 

Assim, o Papa apresenta o seu obrigado, a sua gratidão à "mulher-mãe, à mulher-esposa, mulher-filha, mulher-irmã, mulher-trabalhadora, mulher-consagrada, e à mulher, pelo simples fato de ser mulher."

 

Lembra que a mulher ao longo da história muitas vezes "foi ignorada na sua dignidade, deturpada nas suas prerogativas, marginalizada e mesmo reduzida à escravidão". O tema da libertação das mulheres, tem uma mensagem atual permanente que brota da "atitude mesma de Cristo". Diz que há necessidade de conseguir uma igualdade social e jurídica efetiva de direitos e de tudo quanto diz respeito aos direitos e deveres de cidadania num regime democrático. Considera que neste campo a presença social da mulher determinará uma maior humanização dos sistemas com vistas à "civilização do amor".

 

Faz o texto a condenação da violência sexual, da cultura hedonista e mercantilista que promover a exploração sistemática da sexualidade e faz um apelo aos Estados e organismos internacionais para que se faça o que for preciso para devolver à mulher o pleno respeito da sua dignidade e do seu papel.

 

O fundamento antropológico da dignidade da mulher é identificado sobretudo na Palavra de Deus. A realização do humano só ocorre mediante a complementariedade do "feminino" e do "masculino". A esta "unidade de dois" Deus confiou a procriação e a vida da família e mesmo a construção da própria história.

 

Quanto ao gênio feminino ", afirma a Carta que a Igreja vê na Virgem Maria a sua máxima expressão. Ao se colocar a serviço de Deus, Maria colocou-se a serviço da humanidade. Assim, "o seu reinado é serviço e o seu serviço é reinar."

 

O documento lembra Santa Catarina de Sena e Santa Teresa de Ávila, Doutoras da Igreja, título conferido pelo Papa Paulo VI, e muitas mulheres que ao longo de dois mil anos de história da Igreja deixaram uma herança benéfica, e relembra a série mártires, santas e místicas da Igreja. Conclui desejando que "se ponha em evidência a verdade plena sobre a mulher".

 

O FEMINISMO

 

A definição de feminismo como um movimento político de mulheres que lutam pela eqüidade com relação aos homens, embora seja a definição mais recorrente não é a mais precisa.

 

No verbete equivalente em inglês temos a definição de feminismo como uma ideologia que objetiva a igualdade - ou o que seria mais preciso - a eqüidade entre os sexos. Contudo, há autoras feministas que procuraram demonstrar como a própria concepção de sexo biológico advém de uma compreensão simbólica do mundo que é orientada pela concepção de gênero.

 

O verbete equivalente em francês define feminismo como um conjunto de idéias políticas, filosóficas e sociais que procuram promover os direitos e interesses das mulheres na sociedade civil. No entanto, os feminismos, em suas múltiplas formas (como veremos a seguir), estão relacionados a desejos, políticas e interesses de outros grupos civis, não somente de mulheres.

 

Autoras e autores como Joan Roughgarden (Department of Biological Sciences Stanford University) , Anne Fausto-Sterling (Department of Molecular and Cell Biology at Brown University) e Thomas Laqueur (Department of History, University of California Berkeley), procuraram observar a suposta justificativa biológica da divisão binária entre os sexos para compreender os pressupostos que sustentariam tal divisão binária fêmea/macho, e subseqüente heterossexualidade, e concluíram, cada qual à sua maneira, que não há uma materialidade anterior ao pensamento humano que justifique a divisão binária entre os sexos, mas que essa divisão existe como modo de pensar e dar sentido à experiência.

 

Dessa forma, compreende-se que a divisão entre os sexos é uma forma cultural, histórica e, portanto, situacional de dar sentido ao mundo.

 

Uma perspectiva de sua história no ocidente

 

Na Grécia antiga o papel das mulheres era restrito à manutenção do lar e ao cuidado para com os filhos. Somente os homens tinham acesso as atividades públicas como a filosofia, a política e a arte. A mulher servia de suporte à vida do homem. No Império Romano a discriminação era semelhante, a legislação garantia ao homem, através da instituição do paterfamilias, poder absoluto sobre a mulher, filhos e escravos.

 

Já outras sociedades, como na Gália, na Germânia em alguns povos da América pré-colombiana (como os Iroqueses e os Hurons) possuíam uma organização que não atribuia diferenças hierárquicas em função das diferenças de sexo. Nas últimas duas, inexistia uma distinção entre economia doméstica e economia social, as tarefas eram divididas independentemente do sexo da pessoa.

 

Durante a Idade Média as mulheres tinham acesso à grande parte das profissões, assim como o direito à propriedade. Também era comum assumirem a chefia da família quando se tornavam viúvas. Há também registros de mulheres que estudaram nas universidades da época, porém em número muito inferior aos homens.

 

A escritora francesa Christine de Pizan (1364 - 1430), autora do livro "A Cidade das Mulheres" onde defende que há igualdade por natureza entre os sexos, pode ser considerada uma das primeiras feministas por apresentar um discurso em favor da igualdade entre os sexos. Defendendo, por exemplo, uma educação idêntica à meninas e meninos.

 

Com a desestruturação do modo de produção feudal e o início do Renascimento, marcado pelo mercantilismo, formação dos Estados Nacionais e retomada do Direito romano, surgem uma série de retrocessos na condição da mulher na sociade ocidental. As mulheres praticamente deixam de frequentar as universidades, têm restringido grande parte de seus direitos civis (como o direito à propriedade e heranças). O universo do trabalho também se fecha às mulheres, estas passam a transitar num restrito número de profissões, justamente num momento em que o trabalho passa a ter valor enquanto status social. Como símbolo maior desse período de retrocessos está a caça às bruxas iniciada pela igreja no século XV.

 

O feminismo, enquanto um movimento e uma filosofia, tem sua origem na Europa Ocidental a partir do século XVIII. Para alguns, este tipo de perspectiva só seria possível após o fenômeno do iluminismo com pensadoras como Mary Wortley Montagu e a Marquesa de Condorcet, lutadoras da educação feminina. A primeira sociedade científica para mulheres foi fundada em Middelburgo, uma cidade ao sul dos Países Baixos, em 1785.

 

É a partir das grandes revoluções que o feminismo incorpora seu cunho reivindicatório e, unindo-se a alguns Partidos, ganha força de expressão. Com a expansão do capitalismo e a Revolução Francesa surgem os partidos de esquerda onde as mulheres encontram espaço para as suas manifestações. Os partidos precisavam de mais colaboradores e as mulheres precisavam de um espaço para manifestar as suas reivindicações, como por exemplo, o direito ao voto. Os movimentos feministas passaram a ficar intimamente ligados aos movimentos políticos. Buscando ampliar as idéias liberais, as feministas defendiam que os direitos conquistados pelas revoluções deveriam se estender a ambos os sexos, por serem os direitos naturais de mulheres e homens iguais. Como resultado da participação das mulheres na Revolução Francesa, registra-se, por exemplo, a instauração do casamento civil e a legislação do divórcio.

 

O livro "Em defesa dos direitos da mulher", de Mary Wollstonecraft, é um dos poucos trabalhos escritos antes do século XIX que podem ser classificados como feminista. Pelos padrões modernos, a sua metáfora das mulheres como sendo a nobreza, a elite da sociedade e em perigo de preguiça intelectual e moral, não soa como um argumento feminista. Wollstonecraft acreditou que ambos os sexos contribuíam para a degradação da mulher e tomou como uma verdade que as mulheres tinham um poder considerável sobre os homens.

 

No século XIX, no contexto da Revolução Industrial, o número de mulheres empregadas aumenta significativamente. Sem com isso diminuir a diferença salarial entre os sexos, que tinha como justificativa o pressuposto de que as mulheres teriam quem as sustentasse. Nesse período a análise socialista ganha forma. No contexto desta visão, a situação da mulher aparece como parte das relações de exploração na sociedade de classes. Assim, o movimento feminista se fortifica como um aliado do movimento operário. Como movimento organizado, data da primeira convenção dos direitos da mulher em Seneca Falls, Nova Iorque em 1848.

 

Nísia Floresta Augusta foi uma das principais personalidades que introduziram o feminismo no Brasil. Natural do Rio Grande do Norte, ela atuou como educadora, jornalista, tradutora, escritora e poetisa. Augusta residiu no nordeste e sul do país mas também passou boa parte de sua vida na Europa (principalmente na França, mas também na Alemanha e Itália).

 

Em 1893 a Nova Zelândia foi primeiro país a conceder o direito de voto às mulheres. Em 1918, a Alemanha e o Reino Unido permitem o voto feminino, que só chegaria à França, à Itália e ao Japão em 1945.

 

Nas décadas de 1930 e 1940, as reinvindicações do movimento haviam sido formalmente conquistadas na maior parte dos países ocidentais (direito ao voto e escolarização e acesso ao mercado de trabalho). A possibilidade da mulher trabalhar ganhou força principalmente no contexto das duas grandes guerras, com grande parte dos homens envolvidos com a guerra as mulheres ocuparam os postos de trabalho vagos. Ao fim de ambas as guerras surgiram campanhas para desvalorizar o trabalho feminino, mostrando que os avanços conseguidos estavam ainda restritos ao âmbito legislativo.

 

Já na década de 1960, o movimento, influenciado por publicações como O Segundo Sexo (1949) de Simone de Beauvoir, passa a defender que a hierarquia entre os sexos não é uma fatalidade biológica e sim uma construção social. Para além da luta pela igualdade de direitos, incorpora o questionamento das raízes culturais das desigualdades.

 

Efeitos do feminismo no Ocidente

 

O feminismo foi responsável por várias mudanças nas sociedades ocidentais como:

 

· o direito ao voto (para as mulheres)

· crescimento das oportunidades de trabalho para mulheres e salários mais próximos aos dos homens, muito longe ainda de oportunidades e promoções equiparadas

· direito ao divórcio

· controle sobre o próprio corpo em questões de saúde, inclusive quanto ao uso de preservativos e ao aborto.

 

Algumas feministas dizem que muito falta a ser conquista nessas frentes, e as feministas do terceiro mundo muito provavelmente não tomariam essas conquistas por reais. A medida que a sociedade ocidental aceita os princípios feministas, exigências que antes pareciam absurdas se tornam convencionais e inquestionáveis: hoje em dia poucas pessoas questionariam o direito ao voto ou à propriedade de terras para mulheres, direitos que pareciam insensatos há 100 anos.

 

Em alguns casos (notadamente em relação aos salários iguais pela mesma função), apesar dos avanços, o movimento feminista ainda precisa batalhar para alcançar os objetivos completos. Os homens recebem salários maiores de mulheres na mesma função.

 

Em países Ocidentais, e já há vários , onde as mulheres ganham mais que os Homens. No entanto, as mulheres tendem a não apostar na carreira, por opção própria, e muitos homens também se queixam que tem menos "desculpas" para faltar ao emprego para cuidar dos filhos, para licenças de paternidade, para ir à escola, etc. Feitas as contas aos salários à hora, as mulheres trabalham muito menos horas em países desenvolvidos, e ganham mais, e têm mais direitos. Várias feministas, têm lutado pois não conseguem de facto apoios dos maridos, pois eles não podem, acabando por ser eles os prejudicados em trabalhos. Em países como a Suécia, Noruega, e outros, tem-se dado licenças de paternidade iguais, Guarda Conjunta, e outros, pois homens e mulheres, e até sindicatos, viram que havia discrinação contra os homens, que prejudicava todos.

 

Feministas propõe frequentemente o uso de uma linguagem não sexista, que utiliza, por exemplo, "senhorita" tanto para mulheres casadas como para mulheres solteiras. Também procuram criticar o uso de palavras que derivam do género masculino para descrever coisas relativas tanto à mulher quanto ao homem (por exemplo, homem para designar o ser humano; ou o uso de pronomes masculinos no plural, quando em referência a grupo de homens e mulheres — eles). Isso pode ser visto como uma tentativa de eliminar o sexismo de algumas línguas, pois algumas feministas acreditam que a linguagem afeta diretamente a percepção da realidade (veja hipótese de Sapir-Whorf). Existem línguas que possuem pronomes masculinos, femininos e neutros; nos locais onde a língua não impõe uma preferência por género, a discussão sobre linguagem sexista tende a ser minimizada. Mas uma vez que o idioma inglês (que é sexista) se torna a cada dia uma língua universal, o debate sobre linguagem sexista adquire importância.

 

Efeitos na educação moral

 

Aqueles que se opõe ao feminismo dizem que a busca da mulher por poder externo, aparente, em oposição à força interior no sentido de afetar a ética e os valores de outras pessoas, deixou um vácuo na área da educação moral, área em que tradicionalmente a mulher tinha influência. Algumas feministas argumentam que a educação, incluindo a educação moral, não devem ser encarada como responsabilidade exclusiva da mulher. Paradoxalmente, alguns dizem que a educação dada em casa pelas mães é uma maneira de agir feminista. Esses argumentos são muito discutidos, no que tange a responsabilidade do ensino de valores sociais e compaixão para as crianças.

 

Efeitos nas relações heterossexuais

 

O feminismo certamente teve efeitos nas relações heterossexuais, no Ocidente e em outros locais onde se fez presente.

 

Em alguns relacionamentos, houve uma mudança sensível na relação entre o homem e a mulher. Ambos tiveram de se adaptar a novas situações. Em alguns momentos específicos como na primeira e na segunda guerra mundial foi necessária a presença da mulher na esfera do trabalho, mas ainda por necessidades econômicas daquele contexto, posteriormente a mulher passa a absorver de maneira mais homogênea as necessidades do mercado de trabalho, mulheres de classe média também passam a ocupar essa esfera.

 

A mulher é sobrecarregada pela tripla jornada de trabalho: o trabalho doméstico, o trabalho formal e remunerado e o papel de cuidar dos filhos. Essa nova condição coloca para os relacionamentos tradicionais entre homens e mulheres um questionamento quanto a divisão de funções entre ambos: já que a mulher ocupa também o lugar de provedora, quem cuida dos filhos? quem faz o trabalho doméstico? Logo, a luta das mulheres por creche, como direito de toda criança a ser garantido pelo estado, faz parte também da luta feminista.

 

Em países mais patriarcalistas como o Brasil, ainda que as mulheres tenham somado as atividades da casa e trabalho, há ainda muita dificuldade em se estabelecer uma relação de igualdade no que diz respeito a divisão de tarefas domésticas, inclusive por conta do enraízamento cultural de papéis masculinos e femininos cristalizados.

 

Outra reivindicação do feminismo é a licença paternidade com o mesmo tempo para o homem e para mulher, ainda que, a exceção, em alguns países isso já ocorra[carece de fontes?], não é um direito garantido em todos os países.

 

Quanto ao comportamento sexual, as mulheres passaram a ter mais controle sobre seus corpos, e passaram a vivenciar o sexo com mais liberdade do que antes lhes era permitido. A consequência dessa revolução sexual é vista como positiva, uma vez que homens e mulheres passaram a poder ter experiências sexuais mais livres e compartilhadas. Entretanto algumas feministas argumentam que a revolução sexual foi benéfica apenas para os homens, uma vez que ainda se mantém valores diferentes para o que fazem homens e mulheres na vida sexual.

 

Alguns outros elementos abalaram a estrutura tradicional de família: a possibilidade do divórcio, o avanço da tecnologia que criou condições para a mulher se reproduzir sem que dependa de um parceiro, e as novas possibilidades de relacionamento, vem colocando em questão a estrutura patriarcal de família.

 

Efeitos na religião

 

O feminismo teve grande efeitos em variados aspectos da religião. Nas correntes liberais do protestantismo, a mulher agora pode ser ordenada clériga, e em algumas correntes do judaísmo a mulher pode ser ordenada rabina e cantor . Nesses grupos cristãos e judaicos a mulher adquiriu certa igualdade perante o homem, na capacidade de obter posições de poder. Essas mudanças enfretam resistência na igreja católica e no Islão. Toda a tradição do Islão proíbe as mulheres muçulmanas de ocupar posições religiosas e de estudo da religião. Movimentos liberais dentro do islamismo procuram trazer reformas ao Islão que permitam, por exemplo, a participação mais efetiva das mulheres.

 

Na Igreja Católica o Santo Padre João Paulo II escreveu a Encíclica Da Dignidade da Mulher, onde fala sobre o papel fundamental das mulheres na história do Cristianismo. As religiosas católicas não fazem parte da hierarquia da Igreja, a qual possui três graus que são: os diáconos, os padres e os bispos. Segundo a referida encíclica há papéis femininos e masculinos na Igreja, uma divisão de tarefas. As mulheres religiosas são consagradas a Deus, a diferença entre os dois papéis está na função sacerdotal ministerial, que é destinada apenas aos homens. E prosseguindo, o Santo Padre afirma que o paraíso não é destinado aos ministros, mas antes aos santos, homens ou mulheres.

 

O Budismo também passou a autorizar mulheres e tem um caso na Europa, mas é tudo ainda muito incipiente.

 

O feminismo também foi importante no desenvolvimento de novas formas de religião. Especialmente as religiões neopagãs , que enfatizam a importância de uma deusa ou divindade feminina além da masculina, e questionam a sujeição da mulher nas religiões tradicionais. Certo ramo da Wicca -A Religião da Bruxaria Pagã-conhecido como Wicca Diânica tem sua origem no feminismo. Próximo a Wicca, há o feminismo mágico, corrente que argumenta quanto a incompreensão dos homens para com aquilo que chamam de bruxas, ou seja, mulheres com conhecimento científico ou médico superior. A auto-identificação como bruxas revela a posição dessas feministas em recuperar conhecimentos perdidos em razão da perseguição e eliminação das bruxas no passado.

 

O feminismo também discute o papel das mulheres na mitologia das religiões tradicionais. Especialmente no caso de Maria, é discutida a contradição de se acreditar que foi mãe e virgem, o que levaria muitas mulheres a aspirar um ideal impossível, e portanto teria consequências negativas em relação à sexualidade feminina.

 

Críticas ao feminismo

 

O movimento social de mulheres, andando de mãos dadas com o feminismo conseguiu uma série de avanços na sociedade ocidental. O sufrágio universal, proteção legal para trabalhadoras gestantes, criação de delegacias específicas para mulheres, abolição de algumas leis misóginas, etc.

 

Mas, como todo movimento de mudança social, o movimento de mulheres recebeu algumas reações contrárias, algumas das quais claramente misóginas. É complicado falar em críticas ao feminismo, porque é complicado falar em feminismo, tendo em vista que são várias correntes de pensamento e não apenas uma. Porém existem algumas críticas ao "feminismo em geral" ou a idéia que se tem do que seja o feminismo.

 

Alguns críticos (tanto homens quanto mulheres) pensam que as feministas estão efetivamente pregando o ódio contra os homens, ou tentando mostrar a inferioridade do homem; argumentam que se as palavras "homem" e "mulher" forem substituídas por "negro" e "branco", os textos feministas podem se transformar naturalmente em manifestos racistas. Essas são críticas que cabem se aplicadas a pensadoras como Valerie Solanas -que propõe a eliminação masculina em seu SCUM Manifesto- mas que não cabem se aplicadas indiscriminadamente a qualquer pensamento feminista. Na verdade, parecem aquelas críticas do começo do século XIX que viam as sufragettes como odiadoras-de-homens, é uma crítica que reduz as sutilezas e questionamentos profundos de como funcionam as relações opressoras de gênero a um simples não-gostar.

 

Outros críticos dizem que, por conta do feminismo, os homens começam a ser oprimidos; a crítica diz que em países como os EUA a taxa de suicídios entre homens tem crescido bastante desde a década de 70, sendo maior do que a taxa entre a população feminina, e tenta concluir com isso que os homens estão se matando mais devido a uma contra-opressão por parte das mulheres. As feministas se defendem afirmando que não há relação causal necessária entre o feminismo e o aumento do suicídio masculino.

 

Alguns grupos conservadores vêem o feminismo como elemento de destruição dos papéis tradicionais dos gêneros e dos valores da família nuclear, nomeadamente quando o pai e a mãe são trabalhadores bem sucedidos e ocupados, não sobrando ninguém para cuidar bem das crianças. As feministas geralmente respondem que os papéis tradicionais de género servem para silenciar e oprimir a mulher e que a família nuclear é a semente da sociedade patriarcal.

 

Outra crítica é de que a justiça, a partir da intervenção feminista, tem privilegiado mulheres em disputas legais do tipo custódia das crianças em caso de divórcio, ou em casos de assédio sexual aonde seria quase que impossível para um acusado provar-se inocente. Outras críticas estão ligadas a questão de acção afirmativa.

 

Mais algumas críticas, e essas são mais interessantes, são voltadas a tipos específicos de feminismo:

 

Feministas pós-coloniais criticam as formas ocidentais de feminismo, notadamente o feminismo radical e sua tentativa de universalizar a experiência de ser mulher. As pós-coloniais argumentam que o conceito generalizado e global de que é ser mulher geralmente é baseado em padrões de classe média e de mulheres brancas, e logo não é capaz de lidar com experiências de mulheres para as quais o preconceito de género é apenas secundário ou terciário, em relação ao preconceito racial e de classe social.

 

O Feminismo hoje

 

Muitas feministas acreditam que a discriminação contra mulheres ainda existe tanto em países subdesenvolvidos quanto em países desenvolvidos. O quanto de discriminação e a dimensão do problema são questões abertas.

 

Existem muitas idéias no movimento a respeito da severidade dos problemas atuais, sua essência e como enfrentá-los. Em posições extremas encontram-se certas feministas radicais que argumentam que o mundo poderia ser muito melhor se houvessem poucos homens. Algumas feministas afastam-se das correntes principais do movimento, como Camille Paglia; se afirmam feministas mas acusam o feminismo de ser, por vezes, uma forma de preconceito contra o homem. (Há um grande número de feministas que questiona o rótulo "feminista", aplicado a essas dissidentes.)

 

Muitas feministas, no entanto, também questionam o uso da palavra "feminismo" para se referir a atitudes que propagam a violência contra qualquer género ou para grupos que não reconhecem uma igualdade entre os sexos. Algumas feministas dizem que o feminismo pode ser apenas uma visão da "mulher como povo". Posições que se baseiam na separação dos sexos são consideradas, para esses grupos, sexistas ao invés de feministas.

 

Há feministas que fazem questão de assumir diferenças entre os sexos — ao contrário da corrente principal que sugere que homem e mulher são iguais. A ciência moderna não tem um parecer claro sobre a extensão das diferenças entre homem e mulher, além dos aspectos físicos (anatómicos, genéticos, hormonais). Essas feministas sustentam que, embora os sexos sejam diferentes, nenhuma diferença deve servir de base à discriminação.

 

O debate sobre questões feministas no Ocidente não deve, no entanto, distrair o movimento feminista de seu principal objectivo no século XXI: promover maiores direitos para as mulheres nas sociedades do Oriente.

 

Estatísticas mundiais

 

Apesar dos avanços feitos pelas mulheres no que respeita à igualdade no mundo ocidental, há um longo caminho a percorrer para se chegar à igualdade, de acordo com as seguintes estatísticas:

 

As mulheres detêm apenas 1% da riqueza mundial, e ganham 10% das receitas mundiais, apesar de constituirem 49% da população.

 

Quando se considera a criação dos filhos e o trabalho doméstico, as mulheres trabalham mais do que os homens, quer no mundo industrializado, quer no mundo subdesenvolvido (20% a mais no mundo industrializado, 30% no resto do mundo).

 

As mulheres estão sub-representadas em todos os corpos legislativos mundiais. Em 1985 a Finlândia detinha a maior percentagem de mulheres na legislatura nacional, com aproximadamente 32% (cf. NORRIS, P.. Women's Legislative Participation in Western Europe, West European Politics). Atualmente, a Suécia tem o maior número, com 42%. A média mundial é apenas 9%.

 

Em média, mundialmente, as mulheres ganham 30% menos do que os homens, mesmo quando têm o mesmo emprego.

 

Dia Internacional da Mulher

 

Passeata em Nova Iorque

 

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março de todos os anos. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher. De entre outros eventos históricos relevantes, comemora-se o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist (Nova Iorque, 1911) em que 140 mulheres perderam a vida.

 

Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher

 

O Dia Internacional de Combate a Violência contra a Mulher é celebrado em 25 de Novembro, decidido pelo Primeiro Encontro Feminista da latino-americano e do Caribe em 1981, e oficialmente adotado pela ONU em 1999. A data marca o brutal assassinato das revolucionárias Irmãs Mirabal a mando do então, ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo, em 25 de novembro de 1961.

 

Movimentos feministas e algumas de suas formas

 

O movimento feminista vem se organizando e atuando em diferentes frentes de luta e em diferentes formas, tendo como consequência uma diversidade de vertentes que variaram ao longo da história e do contexto social: por meio da igualdade, da diferença e da separação, há porém, no feminismo um compromisso comum de por fim a dominação masculina e à estrutura patriarcal. As diferenças situam-se na identidade, no adversário, quais os focos de luta bem como as metas as quais se quer alcançar, as divergências vão da análise das raízes do patriarcalismo, a possibilidade de combater, de reformar o estado patriarcal e/ou capitalismo patriarcal, a heterossexualidade patriarcal ou ainda a dominação cultural.

 

O feminismo liberal e socialista tem a identidade nas mulheres como seres humanos e toma como adversário o Estado patriarcal e/ou capitalismo patriarcal, tem como meta direitos iguais, inclusive direito de ter filhos ou não. Concentrou seus esforços na obtenão de direitos iguais para homens e mulheres em todas as esferas da vida social, econômica e institucional.

 

As feministas radicais tiveram origem a partir daquelas mulheres que começaram a se organizar em oposição às contínuas discriminações que sofriam nas organizações de esquerda das quais participavam. Identificavam nos homens os agentes da opressão, tomando as outras formas de opressão como extensão da supremacia masculina. Concentravam seus esforços na conscientização e para tanto, organizavam grupos exclusivamente femininos.

 

O feminismo cultural tem a identidade na comunidade feminina, seus adversários são as instituições e os valores patriarcais, tem como meta a autonomia cultural.

 

O feminismo essencialista (espiritualismo, ecofeminismo) tem como identidade o modo feminino de ser, acreditam numa essência única feminina e tem como adversário o modo masculino de ser, tem como meta a liberdade matriarcal.

 

O feminismo lesbiano tem como identidade a irmandade sexual/cultural, como adversário a heterossexualidade patriarcal e como meta a abolição do gênero pelo separatismo.

 

Além dessas formas, há as identidades femininas específicas étnicas, nacionais, autodefinidas, estas tem identidade autoconstruídas por exemplo: feminista lésbica negra, tem como adversário a dominação cultural e como meta o multiculturalismo destituído de gênero.

 

Há ainda o feminismo pragmático (operárias, autodefesa da comunidade, maternidade etc.) que tem como identidade donas de casa, mulheres exploradas/agredidas e tem como adversário o capitalismo patriarcal e como meta a sobrevivência/dignidade.

 

Com a oposição de movimentações antifeministas, as diferenças entre feministas radicais e liberais foram cada vez mais ficando a margem, o que possibilitou a a aproximação entre essas correntes uma vez que seria necessária a união de forças para sustentar o movimento. Há também outro elemento a ser considerado ao se fazer a diferenciação das formas do feminismo que é o da geração, fator este que já não está relacionado à divisão entre radicais e liberais, mas ao maior grau de importância conquistado pelo lesbianismo, a importância dada a expressão sexual, e uma maior abertura para cooperar com os movimentos sociais masculinos, características das gerações mais recentes.

 

Alguns tipos de organizações feministas podem ser encontrados: - Organizações nacionais, cuja principal exigência são os direitos iguais - Organizações prestadoras de serviços diretos (redes de grupos locais) - Organizações de defesa da mulher - especialistas

 

A partir da década de 60, uma década após Simone de Beauvoir ter escrito o livro O segundo sexo, aonde denúncia as raízes culturais e sociais da desigualdade sexual, as teorias feministas já passam a uma necessidade de compreensão do universo no qual a mulher está inserida a partir da construção social de sua condição. Incorporam, portanto outras frentes de luta, e começam a forjar o conceito de gênero e da hierarquia mascarada pela diferenciação de papéis.

 

Um movimento que tem suas origens no feminismo radical é o feminismo descontrutivista, que acredita ser o sexo (tanto no sentido biológico quanto social) uma construção social, que deve ser rejeitada enquanto unidade de classificação. Para esse tipo de feminismo, o paradigma de dois sexos deve ser substiuído por outro, que considere diversas sexualidades.

 

Embora muitas líderes do feminismo tenham sido mulheres, nem todas as pessoas adeptas do feminismo são mulheres e nem todas as mulheres são feministas. Um dos pontos de divergência no interior do movimento é a participação ou não de homens no movimento feminista.

 

O feminismo encontra bastante limitação fora do ocidente, onde esteve restrito durante o século XX. Os movimentos feministas esperam que suas ações e conquistas ganhem espaço em todo o mundo durante o século XXI.

 

Essa fragmentação e multiplicidade de identidades feministas, não se refere necessariamente a uma fraqueza, mas sim a uma força, já que encontramos sociedades caracterizadas por diversos conflitos sociais e lutas pelo poder, demandando diferentes formas de aliança e de autodefinição das identidades. Não há, portanto, um movimento único feminista, mas muitas identidades diferentes e autônomas, alcançando micropoderes, baseados nas experiências adquiridas pela vida. Estas experiências são tão diferentes que denunciam a multiplicidade de identidades femininas e o multiculturalismo que não podem ser negligenciados ou ser uma única forma imposta pelo patriarcalismo.

 

Relações com outros movimentos

 

O movimento feminista se relaciona com outros movimentos sociais na medida em que as questões ligadas a condição da mulher acabam por se interligar com questões de opressão como de classe, raça e sexual. Em alguns momentos da história, essa abetura não existe, principalmente pela necessidade de uma auto-afirmação das mulheres enquanto grupo organizado e autônomo. Porém, com as gerações que se seguem, novas condições vão sendo colocadas para os movimentos abrindo novas possibilidades de organização e de solidariedade entre movimentos de focos diferentes. Sobreposições de opressões como, por exemplo, a mulher negra, a mulher lésbica, a mulher pobre incentivam não só as frentes específicas dentro do feminismo, mas o coloca ao lado de outros movimentos que se colocam igualmente contra qualquer tipo de discriminação.

 

A maioria dos grupos feministas adopta uma visão holística quanto à política — o que concordaria com a frase de Martin Luther King, "Uma injustiça em algum lugar é uma injustiça em todo lugar". Principalmente nos Estados Unidos, onde a segregação racial é clara, alguns feministas costumam apoiar outros movimentos como o movimentos dos direitos cívicos e o movimento dos direitos homossexuais. Muitas feministas negras participam também do movimento negro, e criticam o feminismo por ser ele dominado por mulheres brancas; argumentam que os problemas enfrentados pela mulher negra são ainda piores em razão do preconceito racial somado ao preconceito de género. Essa idéia é a chave do feminismo pós-colonial. Muitas mulheres negras dos Estados Unidos preferem o termo womanism (algo como mulherismo) em detrimento do tradicional feminismo.

 

Certas feministas rechaçam as mulheres transexuais, porque questionam a distinção entre homem e mulher. Mulheres transexuais são algumas vezes excluídas de reuniões exclusivas à mulheres e eventos feministas, e são rejeitadas por determinadas feministas que dizem que ninguém que nasceu homem poderá realmente entender a opressão que a mulher enfrenta. Por outro lado, as mulheres transexuais argumentam que somente uma visão estereotipada da transexualidade poderia clamar que estas pessoas representam construções tradicionais do "ser homem" e do "ser mulher"; que enfrentam discriminação semelhante às mulheres biológicas, e inclusive lutam a respeito de direitos legais que não lhes são assegurados; que não é a genitália o que torna uma pessoa mulher; que uma vez que realmente são mulheres, cabe a elas por direito o reconhecimento de suas lutas como lutas feministas; e que a discriminação que sofrem não é nada mais do que outra face do patriarcalismo e uma clara expressão de transfobia e misoginia. Veja também: transfeminismo

 

Marcos históricos do feminismo

 

Século XV a.C.

 

Hatshepsut viveu no século XV a.C. e foi a primeira faraó de todos os tempos. Governou durante 22 anos e trouxe prosperidade e inovação administrativa para o Antigo Egito.

 

Século XV

 

Joana D'Arc é queimada viva; será beatificada em 1909 pelo Papa Pio X e canonizada em 1920 por Bento XV.

 

Século XVIII

 

1792 - Inglaterra

Mary Wollstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Reivindicação dos Direitos da Mulher – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.

 

1793 - França

Olympe de Gouges foi uma escritora, jornalista e feminista. Pela divulgação de idéias libertárias e dos direitos das mulheres, foi guilhotinada em 3 de novembro de 1748, na França.

 

Século XIX

 

1816 - Inglaterra

Mary Shelley escreve Frankenstein. O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.

 

1822 - Brasil

A Arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, Dona Maria Leopoldina Josefa Carolina, exerce a regência, na ausência de D. Pedro I, que se encontrava em São Paulo. A imperatriz envia-lhe uma carta, juntamente com outra de José Bonifácio, além de comentários de Portugal criticando a atuação do marido e de dom João VI. Ela exige que D. Pedro proclame a Independência do Brasil e, na carta, adverte: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece".

 

1827 - Brasil

Surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas a elas.

 

1832 Brasil

A brasileira Nísia Floresta, do Rio Grande do Norte, defendia mais educação e uma posição social mais alta para as mulheres. Lança uma tradução livre da obra pioneira da feminista inglesa Mary Wollstonecraf. Inspirada nesta obra, Nísia escreve Direitos das mulheres e injustiça dos homens. Mas Nísia não fez uma simples tradução, ela se utiliza do texto da inglesa e introduz suas próprias reflexões sobre a realidade brasileira. É por isso considerada a primeira feminista brasileira e latino-americana.

 

1840 - Brasil

Anita Garibaldi lidera a luta enrte imperialistas e farrapos, na Guerra dos Farrapos.

 

1857- Estados Unidos

No dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres.

 

1865 - Brasil

Ana Néri, considerada a primeria enfermeira voluntária do Brasil. Em 1865 embarcou com o exército de voluntários na Guerra do Paraguai

 

1875

Helena Petrovna Blavatsky, a maior esoterista do Ocidente, funda a Sociedade Teosófica.

 

1879 - Brasil

As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.

 

1885 - Brasil

A compositora e pianista Chiquinha Gonzaga estréia como maestrina, ao reger a opereta A Corte na Roça. É a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Precursora do chorinho, Chiquinha compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: Ô Abre Alas. Escreveu ainda 77 peças teatrais.

 

1887 - Brasil

Formou-se a primeira médica no Brasil: Rita Lobato. As pioneiras tiveram muitas dificuldades em se afirmar profissionalmente e algumas foram ridicularizadas.

 

1893 - Nova Zelândia

Pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto.

 

1896

Maria Montessori é a primeira médica a se formar na Itália. Feminista e criadora do método Montessori de aprendizagem.

 

1899 - Brasil

Uma mulher, Myrthes de Campos, foi admitida no Tribunal de Justiça Brasileiro, para defender um cliente

 

Século XX

 

1903

Marie Curie é a primeira mulher a lecionar em Sorbonne e a primeira a vencer o Prêmio Nobel de Física "em reconhecimento pelos extraordinários serviços obtidos em suas investigações conjuntas sobre os fenômenos da radiação, descoberta por Henri Becquerel".

 

1917 - Brasil

A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.

 

Anos 20

 

1920 - EUA

Sufrágio feminino.

 

1922

Bertha Lutz funda a Federação Brasileira para o Progresso Feminino

 

1923 - Japão

As atletas femininas ganham o direito de participarem das academias de artes marciais.

 

1928 - Brasil

O Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres. Elas foram às ruas, mas seus votos foram anulados. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages - RN.

 

Anos 30

 

1932 - Brasil

Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras.

 

A primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, a nadadora Maria Lenk, de dezessete anos, embarca para Los Angeles. É a única mulher da delegação olímpica. No ano de 1939, durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, quebrou dois recordes mundiais individuais, nos 200m e 400m peito, a primeira e única brasileira a fazê-lo.

 

1933 - Brasil

Nas eleições para a Assembléia Constituinte, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queirós.

 

1937/1945 - Brasil

O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: "luta de qualquer natureza, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol". O decreto só foi regulamentado em 1965.

 

Anos 40

 

Khertek Anchimaa-Toka é a primeira mulher não-monarca a tornar-se chefe de Estado, embora não eleita, da extinta República Popular de Tannu Tuvá.

 

1945

A igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.

 

1948

Depois de 12 anos sem a presença feminina, a delegação brasileira olímpica segue para Londres com 11 mulheres e 68 homens. Neste ano, a holandesa Fanny Blankers-Keon, 30 anos, mãe de duas crianças, foi a grande heroína individual da Olimpíada, superando todos os homens ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo.

 

1948

Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 

1949

São criados os Jogos da Primavera, ou ainda "Olimpíadas Femininas". No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro O Segundo Sexo, no qual analisa a condição feminina.

 

Anos 50

 

1951

Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.

 

1952

A psiquiatra Nise da Silveira funda o Museu da Imagem e do Inconsciente e introduz a psicologia junguina no Brasil. Nise é também uma pioneira no combate às terapias agressivas, como lobotomia, eletrochoque e confinamento hospitalar. Pioneira também da terapia com animais e pacientes.

 

Anos 60

 

1960 - Brasil

A paulista Maria Esther Andion Bueno torna-se a primeira mulher a vencer os quatros torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland-Garros, jogando em duplas e Wimbledon, US Open, jogando em simples). Conquistou, no total, 589 títulos ao longo da carreira.

 

1963 - União Soviética

Valentina Tereshkova torna-se a primeira mulher cosmonauta no espaço.

 

1965

Elis Regina interpreta Arrastão, de Vinícius de Moraes, no I Festival de Música Popular Brasileira e inaugura a MPB.

 

Anos 70

 

1974 - Argentina

Isabel Perón torna-se a primeira mulher presidente.

 

1974 Brasil

A cantora Clara Nunes vende 500 mil cópias do LP Claridade, a primeira cantora a atingir essa vendagem.

 

1975 - Argentina

Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação.

 

1975

Em 5 de maio de 1975, com a sólida vitória obtida pelos conservadores, Margaret Thatcher tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha, e primeira a liderar uma nação no Ocidente. Foi responsável também pela implementação da privatização no país e dos princípios neo-liberais.

 

1977 - Brasil

A escritora fortalezense Rachel de Queiroz é primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

 

1979 - Brasil

Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora, por falecimento do titular da vaga. A equipe feminina de judô inscreve-se com nomes de homens no campeonato sul-americano da Argentina. Esse fato motivaria a revogação do Decreto 3.199.

 

-Portugal Maria de Lurdes Pintasilgo torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeiro-ministro de Portugal

 

Anos 80

 

1980 - Islândia

Vigdís Finnbogadóttir é a primeira mulher do mundo eleita Presidente da República.

 

1980 - Brasil

Recomendada a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência doméstica contra a mulher. Surge o lema: Quem ama não mata.

 

1981 Brasil

A cantora Simone é a primeira cantora a superlotar sozinha um estádio, o Maracanãzinho.

 

1983 - Brasil

Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM - Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher.

 

1983 - Estados Unidos

Sally Ride é a primeira mulher astronauta norte-americana. Voou na nave espacial Challenger.

 

1985 - Brasil

Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

 

1985 - Nações Unidas

É criado o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), em lugar do antigo Fundo de Contribuições Voluntárias das Nações Unidas para a Década da Mulher.

 

1986 Brasil.

Iolanda Lima Fleming que nasceu em "Vila Castelo" Acre, foi a primeira mulher a governar um estado brasileiro.

 

1987 - Brasil

Criação do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro - CEDIM/RJ, a partir da reivindicação dos movimentos de mulheres, para assessorar, formular e estimular políticas públicas para a valorização e a promoção feminina.

 

1988 - Brasil

Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.

 

Anos 90

 

1990 - Brasil

Eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG.

 

A economista Zélia Cardoso de Mello assume a pasta do Ministério da Fazenda, do Governo Fernando Collor de Mello, tornando-se a mulher que mais acumulou poder em toda história republicana do Brasil. A ministra implementa um plano econômico neo-liberal, que incluiu privatizações, abertura às importações e modernização industrial e tecnológica. O plano foi seguido pelos governos seguintes.

 

1991 - Futebol

É realizada a primeira Copa Mundo de futebol feminino na China

 

1993 - Brasil

Assassinada Edméia da Silva Euzébia, líder das Mães de Acari, o grupo de nove mães que ainda hoje procuram seus filhos, 11 jovens da Favela de Acari (RJ), seqüestrados e desaparecidos em 1990.

 

1993

Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.

 

1994 - Brasil

Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998.

 

1996 - Brasil

O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.

 

1996 - Brasil

A escritora Nélida Piñon é a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Exerce o cargo até 1997 e é membro da ABL desde 1990.

 

1997 - Brasil

As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado Federal; 6% das prefeituras brasileiras (302). O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5,5%, em 1992, para 12%, em 1996.

 

1998 - Brasil

A Senadora Benedita da Silva é a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional.

 

1999 - Brasil

A atriz brasileira Fernanda Montenegro concorre ao prêmio máximo do cinema mundial o Oscar, pela atuação no longa-metragem Central do Brasil.

 

2000 - Brasil

Em 14 de dezembro de 2000, Ellen Gracie Northfleet torna-se a primeira mulher a integrar a Suprema Corte do Brasil desde a sua criação. Foi também eleita Juíza Substituta do Tribunal Superior Eleitoral em sessão de 8 de fevereiro de 2001 e em 20 de fevereiro de 2003 foi eleita e tomou posse como vice-presidente da Corte eleitoral. É atualmente a presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil e a maior autoridade legal do país.

 

Século XXI

 

2001 - Alemanha

A alemã Jutta Kleinschmidt é a primeira mulher a vencer o Rali Paris-Dakar, na categoria carros. Considerada a prova mais difícil do planeta - seu desafio é atravessar o deserto Kleinschmidt, com essa vitória, faz juz à força feminina, presente em todas as atividades do mundo atual. Em 23 anos de disputa, jamais uma mulher havia ganho nessa competição.

 

2002

A pintora brasileira Sônia Menna Barreto é a primeria artista brasileira a ter uma obra incorporada pela Royal Collection, acervo de arte da Família real britânica.

 

Madre Paulina é canonizada pelo Papa João Paulo II.

 

2003 - Brasil

Marina Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre, reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula no dia 10 de janeiro de 2003. Em seu discurso de posse, disse: "Não acho que devemos nos render à lógica do possível. O possível é feito para não se sair do lugar".

 

2004 - Inglaterra

J. K. Rowling, autora do best-seller mundial Harry Potter é a primeira pessoa no mundo a ficar bilionária escrevendo livros e segunda maior fortuna dentre as personalidades femininas, atrás apenas da apresentadora Oprah Winfrey.

 

2005

A professora Suely Vilela é eleita reitora da USP, a primeira da história da universidade.

 

A missionária Dorothy Stang foi assassinada em fevereiro deste ano em Anapu, no Sudoeste do Pará. Ela trabalhou durante 30 anos em pequenas comunidades da Amazônia pelo direito à terra e à exploração sustentável da floresta.

 

A política alemã Angela Merkel, líder do partido democrata cristão, é eleita chanceler da Alemanha. A primeira mulher a ocupar este cargo na história do país.

 

2006

Sancionada a Lei Maria da Penha. Dentre as várias mudanças, a lei aumenta o rigor nas punições das agressões contra a mulher.

 

A socialista Michelle Bachelet é eleita presidente do Chile. A primeira mulher a ocupar este cargo na história do país.

 

O Parlamento pasquistanês aprova mudança na lei islãmica sobre o estupro: a lei exigia que uma mulher estuprada deve apresentar como testemunhas quatro homens considerados "bons muçulmanos" ou, caso contrário, enfrentaria acusações de adultério. A nova lei tira este crime da esfera das leis religiosas e o inclui no código penal.

 

Em 22 de junho a Revista Forbes elege a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey a única pessoa negra bilionária por três anos seguidos, além de a mulher mais rica, filantropa e influente do mundo.

 

Yeda Crusius (PSDB) é eleita a primeira governadora do Rio Grande do Sul, no pleito realizado em 1 de outubro de 2006, com 2.037.923 votos (32,9% dos votos válidos).

 

2007

Drew Gilpin Faust, 59, professora especializada na Guerra Civil americana, foi nomeada reitora da mais antiga universidade do país, a Harvard.

 

( Fonte: Wikipédia )