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Clítoris

Clitóris, clítoris ou clitóride (do grego kleitorís) é, na anatomia, o nome que se dá ao órgão alongado e erétil, localizado na parte superior da vulva, nos mamíferos. Similar ao pênis, que é homólogo[1] ao clitóris - este porém não possui a divisão distal que este apresenta para a uretra e tem função exclusivamente no prazer sexual, mormente nos humanos (a única exceção nesta conformação anatômica ocorre com a Hiena-malhada: nesta espécie, o sistema urogenital é único, possuindo um grande clitóris, chamado de pseudo-pênis, que tem o canal urinário e as vias sexuais e reprodutivas)[2].

Descoberta

 

A descoberta desta região é normalmente atribuída ao professor de anatomia e cirurgia da Universidade de Pádua Mateo Realdo Colombo (1516-1559) [3], quando Colombo publicou e o denominou de "prazer de vénus", mas ele é questionado como descobridor por Kasper Bartholin, no século XVII, que afirma que ele já era conhecido desde o século II a.C..

 

Estrutura

 

Desenvolvimento da genitália externa. A: Desenvolvimento em comum. C,E: Desenvolvimento masculino. B,D, F: Desenvolvimento feminino. No momento o desenvolvimento dos órgãos urinária e reprodutores na embriogénese a genitais indiferenciada é chamada de falo é pode se desenvolve e dar origem ao clitóris, ou o pênis, que os tornam homólogos[4], assim como os grande lábios é o saco escrotal.

 

A cabeça ou glande do clitóris apresenta normalmente 8000 feixes fibras nervosas, tendo aproximadamente o dobro do número de fibras nervosas encontradas no pênis.[5] É preenchido internamente por gordura e tecido muscular. Por fora, é revestido por uma epiderme muito fina. O ápice do clitóris é bulboso, chamado de glande (glans clitoridis, em alusão à glande do pênis dos homens), onde se encontram a maior parte dos terminais nervosos responsáveis pela sensação de prazer.

 

 

Legenda:

 

1) Glande do clitóris

2) Corpo cavernoso

3) Crus clitoris

4) Abertura uretral

5) Bulbo do vestíbulo

6) Abertura vaginal

 

O clitóris é uma estrutura complexa que inclui componentes internos e externos. Sendo visível aos olhos está o capuz clitorial (Prepúcio), que cobre totalmente ou em parte a cabeça (glande clitoridiana) quando este está em repouso, coluna e bordas internas (pequenos lábios). Dentro do corpo estão os Crus clitoris (crura) que são constituído de dois corpos cavernosos que se unem formando o corpo do clitóris, a uretra esponjosa, bulbo clitoriano (anteriormente designada por vestíbulo bulbar) e, períneo esponjosa, de uma rede de nervos e vasos sanguíneos, suspensivo ligamentos, músculo e diafragma pélvico.[4] O clitóris estende-se desde a frente junção dos pilares (crura) da bordas dos lábios externo (Grandes lábios), que se reúnem na base do monte púbico ao frenulum labiorum pudendi, junção posterior dos pequenos lábios.[3] No seres humanos, a região da coluna, após da glande do clitorial, estende-se vários centímetros para cima e em direção à parte traseira, em frente da divisão da crus do clitóris, que tem forma de um "V" invertido, estas crus estender ao redor e no interior dos grandes lábios.

 

Os músculos que compõem a estrutura do clitóris são responsáveis pela sua ereção em ocasiões de excitação sexual. Deste modo, a glande do clitóris emerge do prepúcio e torna-se mais acessível ao toque.

 

Como a maior parte das estruturas do corpo humano, o clitóris varia em tamanho e constituição de mulher para mulher. Um artigo publicado na Journal of Obstetrics and Gynecology em Julho de 1992 estipula que a largura média da glande clitoridiana está entre 2,5 milímetros a 4,5 milímetros (0,10-0,18 in) em indicando que suas dimensão é em média menor do que um borracha de lápis.

 

Algumas mulheres podem apresentar clitóris muito reduzidos (que nem quando eretos conseguem emergir do prepúcio) ou muito desenvolvidos, embora isso não influencie na sensação de prazer, mas há casos em que terminações nervosas são defeituosas e o clitóris é incapaz desta sensação. Há casos raros em que o clitóris é hipertrofiado ao ponto de se assemelhar a um pênis incompleto. Alguns casos de hermafroditismo estão associados a essa anomalia.

 

Masters e Johnson foram os primeiros a determinar que a estruturas do clitóris rodeia e estender ao longo da vagina, assim determinanram que todos os orgasmos é de origem clitorial[6]. Mais recentemente, a urologista Australiana, Dr. Helen O'Connell, utilizando a tecnologia MRI notou que existe uma relação direta entre as crus clitoris (crura ou pernas ou raízes do clitóris) e do tecido eréctil do bulbos clitorial e corpo, e distais uretra e vagina[7]. Ela afirma que esta relação de interligação é a explicação fisiológica para o Ponto G e a experiência do orgasmo vaginal, tendo em vista a estimulação das partes internas do clitóris durante a penetração da vagina.[8]

 

Durante o ato sexuai, a estimulação e o orgasmo, o clitóris e de toda a genitália ficam túrgidos e mudam de cor quando estes tecidos eréteis encher com sangue, e a particular experiência das contrações vaginais. Masters e Johnson documentada a ciclo resposta sexuais, que tem quatro fases e ainda é o clinicamente aceito como definição do orgasmo humano, dividido em: fase de excitação, fase de platô, fase do orgasmo e fase de resolução. Investigação mais recente determinou que alguns podem experimentar uma orgasmo prolongado intenso através da estimulação do clitóris e permanecem na fase do orgasmo por muito mais tempo do que original os estudos indicaram, evidenciado pela turgência genital e mudança de cor, e contrações vaginais. [9]

 

Origem do clitóris

 

Pesquisadores têm se dedicado a estudar as origens ontogenéticas dos órgãos sexuais masculinos e femininos, observando seu desenvolvimento desde o embrião até a puberdade. Os estudos apontaram uma homologia, ou seja, uma origem comum entre pênis e clitóris.

 

No início do desenvolvimento do embrião, suas células ainda indiferenciadas são influenciadas pelos hormônios maternos, direcionando o desenvolvimento do corpo dos embriões masculinos e femininos para uma forma feminina. Num estágio imediatamente anterior a diferenciação sexual, a região que se tornara a genitália externa apresenta os grandes lábios e a saída da uretra e o falo, inda neste estado não há a entrada do canal vaginal, assim como o próprio canal vaginal. Somente quando as gônadas masculinas são formadas e começam a produzir testosterona é que o falo começa a se desenvolver e ocorre o processo de criação da uretra para dar origem ao órgão sexual masculino e os grandes lábios se fusionam para dar origem ao saco escrotal.

 

Ou seja, é basicamente pela influência de um hormônio que existe diferenciação sexual entre homens e mulheres no início de seu desenvolvimento. Quando ocorre a diferenciação em gônadas femininas o falo não se desenvolve e há a criação do canal vaginalO clitóris em outras espécies.

 

O clitóris, como descrito acima, só é conhecido em mamíferos, embora outros grupos de animais possam apresentar estruturas análogas. Em muitas espécies de mamíferos, o clitóris não apresenta uma função evidente ligada ao sexo, visto que nessas espécies não é detectado o orgasmo nas fêmeas. Em hienas, por exemplo, o clitóris é tão grande quanto o pênis dos machos, e durante a cópula, a fêmea sente dores intensas ao passo em que seu clitóris sofre lacerações. Em muitas espécies, o clitóris é pequeno ou quase inexistente. Em baleias, pode chegar a 8 centímetros de comprimento. Em algumas espécies, sobretudo em marsupiais, o clitóris apresenta duas glandes. Em gatos e civetas, o clitóris é sustentado por um pequeno osso, que o torna rígido e semelhante a um pênis.

 

Função evolutiva

 

Em seres humanos, o clitóris é especialmente sensível, e assume função importante durante o ato sexual. O prazer ligado ao sexo é um mecanismo evolutivo que favorece a reprodução, oferecendo o orgasmo como recompensa ao ato sexual. Nas mulheres, o clitóris é uma das estruturas envolvidas diretamente na penetração capazes de causar orgasmo (a outra, interna, é uma zona sensível no interior da vagina, chamada popularmente de ponto G). Na posição sexual mais comum em nossa espécie, onde o homem deita-se de frente sobre o corpo da mulher, o clitóris é constantemente friccionado pela pelve do homem, o que pode levar ao orgasmo mesmo sem a excitação do "ponto G".

 

O clitóris sensível pode ter sido, portanto, uma solução evolutiva, uma característica selecionada para se adequar à anatomia e ao posicionamento durante o ato sexual, de forma a produzir prazer intenso e favorecer a reprodução.

 

Clitóris e as sociedades

 

O clitóris é tradicionalmente encarado pela maioria das sociedades humanas como um tabu que não pode ser visto, tocado, ou mencionado sem que haja extrema intimidade entre a mulher e seu parceiro, mesmo em culturas onde não se utilizam vestimentas cobrindo as genitálias.

 

A castração feminina, ou seja, a laceração ou amputação (excisão) do clitóris é praticada em algumas sociedades, especialmente em algumas tribos africanas, famosas pelas reportagens e relatos da imprensa, que muitas vezes qualificam este ritual como sendo "bárbaro" e uma "violação dos direitos humanos". O termo técnico para a "castração feminina" é clitoridectomia.

 

1. ↑ Nota: em biologia, o termo homólogo designa corpos do organismo que desempenham as mesmas funções e sofrem as mesmas mudanças estruturais, ou metamorfoses

2. ↑ Laurence S. Baskina, Selcuk Yucelae, Gerald R. Cunhab, Stephen E. Glickmancd, Ned J. Placec (January 2006). "A Neuroanatomical Comparison of Humans and Spotted Hyena, a Natural Animal Model for Common Urogenital Sinus: Clinical Reflections on Feminizing Genitoplasty". Journal of Urology 175 (1): 276-283.

3. ↑ 3,0 3,1 Chalker, Rebecca. A Verdade Sobre o Clitóris. 1.ed. Brasil: Imago, 2001. 189 p. 1 v. ISBN 8531207916

4. ↑ 4,0 4,1 Francoeur, Robert T. (2000). The Complete Dictionary of Sexology. The Continuum Publishing Company, 180. ISBN 0-82640-672-6.

5. ↑ Angier, Natalie (1999). Woman – An Intimate Geography. Anchor Books, 63. ISBN 0-38549-841-1.

6. ↑ Federation of Feminist Women’s Health Centers (1991). A New View of a Woman’s Body. Feminist Heath Press, 46. ISBN 0-929945-0-2.

7. ↑ O'Connell, Helen, Anatomy of the Clitoris, J Urol. 2005 Oct;174(4 Pt 1):1189-95, PMID 16145367

8. ↑ Mascall, Sharon, “Time for Rethink on the Clitoris”, BBC News. 2006 June |url=http://news.bbc.co.uk/1/hi/health/5013866.stm

9. ↑ Bodansky, Vera and Steve (2002). The Illustrated Guide to Extended Massive Orgasm. Hunter House. ISBN 0897933621.

 

( Fonte: http://pt.wikipedia.org )